APRESENTAÇÃO

Pele de Propaganda: lambes e stickers em Belo Horizonte [2000-2010]

Autor: Luiz Navarro
Editora: Edição do autor
Prefácio: Maria Angélica Melendi
Preparação e revisão: Débora Fantini (Barco)
Capa e projeto gráfico: Marcelo Lustosa
120p.| 2016 | 11 x 17,5 cm
ISBN: 978-85-920658-0-5

Derivados da linguagem do grafite, lambes e stickers são suportes em papel de tamanhos variados, cartazes afixados com grude ou adesivos autocolantes feitos para serem espalhados pela rua, em muros, fachadas ou mobiliários urbanos. Assim como outras metrópoles globais, Belo Horizonte viveu uma intensificação dessa prática na primeira década dos anos 2000. Luiz Navarro, que sob a alcunha de Culundria Armada, ao lado do amigo João Perdigão, colou lambes e stickers na capital mineira nesse período, partiu da própria experiência para realizar a documentação e o estudo dessa produção reunidos em Pele de Propaganda.

 

O livro é resultado da pesquisa desenvolvida por Navarro para a especialização em Artes Plásticas e Contemporaneidade da Escola Guignard da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), com orientação da professora, arquiteta e artista plástica Louise Ganz. Organiza-se em duas partes: uma análise no contexto da teoria e da história da arte e um glossário com termos e conceitos, técnicas e procedimentos, relação dos principais artistas e grupos, espaços, fatos e eventos que tiveram importância simbólica. A obra é ilustrada por fotografias feitas pelos próprios artistas, a maioria disponibilizada em sites como Flickr e Fotolog, este desativado em fevereiro de 2016, plataformas utilizadas para divulgarem seu trabalho e conhecerem seus pares.

 

Além da efemeridade – diante da ação do tempo, da publicidade e de pessoas que podem rasgar ou cobrir lambes e stickers – e do anonimato – na recusa em assinar os trabalhos, outra característica criativa apontada e analisada por Navarro é a experiência enquanto criação, considerando-se o desafio de encarar o agressivo ambiente público da cidade como uma ação performática e corporal, seja de artistas ou de passantes. O autor também destaca duas características socioculturais: o uso das novas mídias e da internet – articulando-se redes e vivenciando-se o espaço virtual como extensão das ruas – e a formação de uma identidade cultural jovem, urbana e idealista, fazendo do livro também um pequeno manual para quem queira se iniciar em ou se inteirar dessa prática, como professores.

 

Navarro ainda aproxima os lambes e stickers belo-horizontinos da década de 2000 a referências que abrangem Dadaísmo, Pop Art, Novo Realismo, Fluxus; os artistas brasileiros Flávio de Carvalho (1899-1973), Hélio Oiticica (1937-1980) e o luso-brasileiro Artur Barrio (1945-); a arte pública do escultor norte-americano Richard Serra (1939-); o conceito de arte contextual do crítico francês Paul Ardenne (1956-); e a arte política, tanto na noção de desestetização do crítico norte-americano Harold Rosenberg (1906-1978), quanto no Situacionismo de pensadores como o francês Guy Debord (1931-1994).

 

Criado pelo designer gráfico Marcelo Lustosa, integrante do Popstencil, coletivo que está entre os artistas relacionados no livro, o projeto gráfico é inspirado nas composições espontâneas formadas pela sobreposição de cartazes de propaganda, lambes e stickers colados no mobiliário urbano, desgastados e rasgados pela ação do tempo ou de passantes. Combina tipografia serifada, própria dos projetos editoriais, e grotesca, comum nas peças de propaganda presentes no ambiente da cidade.

 

Com tiragem de 600 exemplares, parte da qual destinada gratuitamente a escolas municipais, bibliotecas públicas e centros culturais, Pele de Propaganda foi realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Belo Horizonte e da Fundação Municipal de Cultura.